Em primeiro lugar, não posso deixar de felicitar o Governo de Angola, através do Ministério do EnsinoSuperior, Ciência, Tecnologia e Inovação Angola (MESCTI) e do Instituto Nacional de Avaliação,Acreditação e Reconhecimento de Estudos do Ensino Superior (INAAREES), pela preocupação em elevar a qualidade do ensino superior no país por meio da avaliação, face aos desafios da educação contemporânea e às necessidades do desenvolvimento nacional.
Os resultados da recente avaliação externa, realizada por avaliadores nacionais e internacionais, revelam um dado particularmente relevante: a predominância do ensino superior privado, representando 74% das Instituições de Ensino Superior (IES), enquanto as IES públicas correspondem a apenas 26%.
Este cenário evidencia a hegemonia do sector privado, suscitando reflexões sobre a possível “mercantilização” do ensino superior e os potenciais impactos na qualidade da formação. Tal configuração exige um investimento público robusto no sector, garantindo que o acesso ao ensino superior não seja limitado por condições financeiras.
A formação de professores, tema central nos debates e investigações educacionais, exige a preparação de profissionais crítico-reflexivos com competências alinhadas com a sociedade do conhecimento. No entanto, é preocupante que a maioria dos cursos de formação de professores das IES não tenham sido acreditadas. Deste modo, questiona-se a qualidade da formação ministrada por estas instituições ao longo dos anos, muitas com mais de uma década de actividade.
Esta situação levanta dúvidas sobre se o foco principal é o desenvolvimento social do país ou a rentabilidade das instituições de ensino.
Reconhecendo os esforços de muitos gestores para manter estas IES em funcionamento, os resultados da avaliação deverão suscitar uma reflexão urgente sobre o modelo de ensino superior desejado para Angola. É crucial aspirar a um sistema de IES à altura das melhores instituições africanas e mundiais, reconhecidas pela excelência científica e pelo compromisso com a produção de conhecimento.
Neste sentido, é imperativo investir na melhoria das IES, a começar pelas infraestruturas – muitas operam em condições precárias, inadequadas para qualquer nível de ensino. É essencial proporcionar melhores condições de trabalho aos professores, promover a inovação pedagógica e incentivar a investigação científica.
Espera-se que, em dois anos de moratoria, as IES com cursos não acreditados ou parcialmente acreditados façam progressos significativos no sentido de alcançar a plena acreditação. Caso contrário, o encerramento destes cursos poderia restringir ainda mais o acesso ao ensino superior para muitos angolanos.
A favor de uma Angola e de um Ensino Superior de excelência!
Fernando Ngio
12.02.2025


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